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Circo de Ideias 2021 /  editores: depA architects, Carlos Azevedo, João Crisóstomo, Luís Sobral, Miguel Santos
135×200 / 468p / PT + EN  
design: Inês Nepomuceno, Mariana Marques 



Debates




Debating Lisbon’s Future
Housing Strategy


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A Habitação é um dos pilares definidores das sociedades democráticas. A soma dos OE para a habitação 2019 e 2020 foi 230 milhões de euros. A este valor de referência serão acrescidos 1.633 mil milhões de euros em 2021-2026, através do subsídio europeu PRR.
Apesar das recentes estratégias propostas na Nova Geração de Políticas de Habitação, pouco debate a nível municipal tem abrangido a sociedade civil ou os agentes de transformação do território.
Após 4 semanas de discussão pública online, convidamos o vereador do urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Veludo, a arquitecta Inês Lobo, a deputada e arquitecta Filipa Roseta e o geógrafo e activista Luís Mendes ao debate sobre propriedade, participação e tipologia para a cidade de Lisboa. Tomamos a proximidade temporal entre a Bienal de Arquitectura de Veneza e as eleições autárquicas em Portugal, como oportunidade de reivindicar o espaço para o diálogo democrático na construção de cidade e reclamar aos arquitectos o papel de classe politicamente comprometida com a questão How will we live together?


PARTICIPANTES
Filipa Roseta
Deputada à Assembleia da República desde 2019. Arquitecta licenciada em 1996 pela FAUTL. Investigadora do CIAUD e membro da Research Academy – European Association for Architectural Education. Concluiu o mestrado em Cultura Arquitectónica Contemporânea na FAUL em 2001 e o doutoramento em 2009 no Royal College of Art, em Londres. Co-fundadora do atelier Roseta Vaz Monteiro Arquitectos em 2001. Vereadora do Urbanismo na Câmara Municipal de Cascais em 2017-2020.

Inês Lobo
Arquitecta licenciada pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 1989. Iniciou a carreira profissional em 1989 e fundou o atelier Inês Lobo Arquitectos em 2002. É professora de Projecto de Arquitectura na UAL e FAUL. Em 1999 recebeu o título de Oficial da Ordem do Mérito pelo Presidente da República.
Curadora e comissária de exposições de Arquitectura, incluindo a repre- sentação portuguesa da Bienal de Veneza de 2012 e a VIII Bienal Ibero-Americana de Arquitectura e Urbanismo.

Luís Mendes
Licenciado em Geografia e Mestre em Estudos Urbanos em 2008 pela Faculdade de Letras – UL.
Assistente Convidado na FAUL, ESEL e IGOT.
Membro da Associação Portuguesa de Geógrafos e membro da direcção da Associação de Inquilinos Lisbonenses desde 2018. Investigador em Estudos Urbanos, nomeadamente sobre gentrificação e regeneração urbana. Consultor técnico e científico e autor de mais de duas centenas de títulos.
Activista no movimento Morar em Lisboa.

Ricardo Veludo
Vereador do Planeamento, Urbanismo, Relação com o munícipe e Partici­pação da Câmara Municipal de Lisboa desde 2019. Licenciado em Engenharia do Território em 1999 pelo IST, com pós-gra­duações em Planeamento Regional e Urbano, Urbanística e Gestão do Território, Gestão e Avaliação Imobiliária.
Faz investigação sobre modelos de participação e de governação cidadã. Foi coordenador da equipa responsável pelo Programa Renda Acessível da CML.


ORGANIZADORES
Gennaro Giacalone
Mestre em Arquitectura pelo Politécnico de Milão em 2018, com tese sobre o impacto social e arquitectónico do turismo em Lisboa, com colaboração de Roberta Pellè. Publicou o artigo científico Possible strategies to break the bond between urban requalification and gentrification, em colaboração com Roberta Pellè e Luís Mendes. Trabalha actualmente com o gabinete HAJE Arquitectos, em Lisboa.

João Romão
Mestre em Arquitectura pela FAUL, 2020, completou o primeiro ano do ciclo mestrado na FAU, Universidade de São Paulo. Teve como tema de tese a habitação flexível e o mercado imobiliário. Em 2014 co-fundou o Atelier Angular. Entre 2017-2019 colaborou com Carlos Aragão e João Pombeiro. Em 2019 desenvolveu o workshop Protest Project, em colaboração com Hugo Jammes.

Margarida Leão
Mestre em Arquitectura pela FAUL, 2015, completou o primeiro ano do mestrado na FADU, Universidade de Buenos Aires. A tese que escreveu é sobre a arquitectura enquanto instrumento de afirmação política. Começou a sua prática profissional em 2016, como colaboradora nos gabinetes PLCO Arquitectos e Ventura Trindade Arquitectos. Durante os últimos anos, trabalhou na Suiça com Stefan Wülser, Nicolaj Bechtel e Didier Balissat.

*Proposta seleccionada em open-call



Instant City


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O debate procura discutir os assentamentos de emergência para população deslocada a nível global por consequência de guerras ou condições políticas, climáticas e sanitárias. Há actualmente 80 milhões de refugiados, muitos em campos que incorporam a espacialização da expulsão e exclusão, com condições de higiene e segurança precárias.
Ao mesmo tempo, mil milhões de pessoas vivem em bairros de lata, crescentes geografias da vulnerabilidade social. Enquanto a arquitectura e o planeamento urbano geralmente ficam aquém nas suas respostas, o que podemos aprender destas cidades instantâneas? O que revelam sobre o papel da arquitectura no dilema humanitário e no nosso mundo instável? Alguns consideram as soluções informais mais eficientes que os esquemas excessivamente planeados; outros reclamam a valorização das soluções DIY dos habitantes desses campos enquanto agentes da produção do espaço. Entretanto, os arquitectos continuam a desenvolver sistemas modulares e de habitação portátil. Que perspectivas se aplicam às povoações migrantes? Questionar como vamos viver juntos exige foco na expressão física do conflito.


PARTICIPANTESManuel Herz
Arquitecto estabelecido em Basileia. Os seus projectos mais recentes incluem uma sinagoga em Mainz e projectos de habitação na Alemanha, Suiça e França. Foi professor na ETH de Zurique, em Harvard GSD e ensina actualmente na Universidade de Basileia. A sua pesquisa foca-se nos temas da migração, da construção de nação e espaços de refúgio. Curador do Pavilhão do Saara Ocidental na Bienal de Arquitectura de Veneza 2016, os seus livros incluem Nairobi: Migration Shaping the City e From Camp to City: Refugee Camps of the Western Sahara.

Maria Neto
Arquitecta, professora assistente na DECA-UBI e investigadora no CEAU-FAUP, COOPUAH e ICHaB-ETSAM. Candidata a doutoramento sobre campos de refugiados em situações prolongadas, financiado pela FCT. Com estudos de pós-graduação em Development of Human Settlements in the Third World (ICHaBETSAM) e prática profissional em Humanitarian Shelter Coordination (IFRC/UNCHR/Oxford Brookes University), colaborou com UNHCR e BRC no suporte ao refugiado. Recebeu o Prémio Távora 2016 com Invisible Cities of Dadaab.

Michel Agier
Antropólogo, Professor (Directeur d’études) na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS Paris) e Investigador Sénior no IRD (Instituto de Investigação para o Desenvolvimento). Com publicação prolífera, os seus principais interesses passam pela Globalização Humana, Marginalidades Urbanas e Exílio. Após vários anos em trabalho de campo na África Ocidental e América Latina, conduz agora investigações pessoais e colectivas na África, Médio Oriente e Europa sobre migrações e refugiados.


ORGANIZADORESBernardo Amaral
É arquitecto, investigador e activista estabelecido no Porto. A sua investigação de doutoramento em curso, na FCTUC-DARQ, foca-se nas metodologias de desenho dos colectivos auto-propostos de arquitectura trabalhando com movimentos do direito à habitação. No seu estúdio, BAAU, muito da sua prática lida com a reabilitação de edifícios antigos para habitação acessível. Bernardo é ainda tutor e professor em diversos workshops e seminários. Actualmente ensina num curso de pós-graduação da ESAP.

Carlos Machado e Moura
É arquitecto, curador, doutorando e investigador no CEAU-FAUP. A par do seu trabalho com os MAVAA, é autor de livros como Building Views (2017) tendo sido membro do corpo editorial do J-A Jornal Arquitectos. Actualmente, Carlos colabora com panoramah!® e é membro MC da CA18126 Writing Urban Places e investigador no projecto (EU)ROPA – Rise of Portuguese Architecture, do CES. Em 2020 recebeu o Prémio Távora e uma menção honrosa do Premio Architetto Italiano.

*Proposta seleccionada em open-call



Lines of Violence


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Em 1961, Jane Jacobs e Lewis Mumford publicaram quase simultaneamente as suas obras mais influentes. A co-existência das suas visões no debate público iniciou um conflito, ainda por resolver, em Arquitectura e Urbanismo.
O conflito torna a urbanização contemporânea mais tangível, desafiando a ordem estabelecida e as suas linhas de violência. Mas analisar o conflito, ou estar em conflito, foca-nos na produção do conflito em si. Leva-nos, a modos dicotómicos de pensar, de mútua definição, racionalidade e sensibilidade. O léxico bélico torna-se inevitável – luta, resistência, emergência, ocupação, resiliência, estratégia, extinção. Tudo se relaciona – saúde, habitação, mobilidade, segregação, economia, política, cultura. As razões são fundamentais à urbanidade, à vida, à democracia e à nossa existência.
Será que os sonhos, a esperança e o conhecimento nos guiam quando vivemos em conflito? Ou, é a sua ausência que despoleta o confronto sobre a forma como construímos os lugares em que vivemos?


PARTICIPANTES
Aitor Varea Oro
Arquitecto e com o seu trabalho visa a democratização do acesso a uma habitação condigna. A sua prática profissional, em Espanha e Portugal, promove a articulação entre as instituições, a academia e a sociedade civil para, criando uma linguagem comum, encurtar as distâncias entre quem tem o problema e quem tem a solução. A sua maior aprendizagem até hoje é a necessidade de trabalhar com tod@s e de falar, especialmente, para quem ainda não está sensibilizado com o problema.

Ana Bigotte Vieira

Faz parte da equipa de programação do Teatro do Bairro Alto, sob direcção artística de Francisco Frazão, como programadora de discurso. Licenciou-se em História Moderna e Contemporânea (ISCTE), especializando-se em Cultura e Filosofia Contemporâneas (FCSH-UNL), e em Estudos de Teatro (UL). A sua tese de Doutoramento recebeu uma Menção Honrosa pela Fundação Mário Soares. É co-fundadora de baldio | Estudos de Performance, e dramaturgista. Traduz teatro e filosofia.

Helena Barbosa Amaro
Licenciada em Direito pela FDUC, pós-graduada em Direito do Urbanismo, do Ambiente e do Ordenamento do Território pelo CEAU. Doutoranda em Arquitectura pela FAUP, variante Dinâmicas e Formas Urbanas. Investigadora integrada do CEAU, e bolseira da FCT. Doutoramento incidente no Vale do Ave, na área da mobilidade, da habitação, e das políticas públicas.

Ligia Nunes
Nasceu em Lisboa, licenciou-se em Arquitetura pela FAUTL e é doutorada pela ETSA da Universidade da Corunha. Abre Atelier e inicia docência em Arquitetura em 1997, nas áreas de Projeto, Teoria e História da Arquitectura, é professora auxiliar no Mestrado e no Doutoramento do DAULP e colaboradora da pós-graduação Territórios colaborativos no ISCTE. É membro do CEAU da FAUP. Fundou Arquitectos sem Fronteiras Portugal e preside a organização Architecture Sans Frontieres Internacional.


ORGANIZADORA
Patrícia Robalo
É arquitecta, trabalha e vive em Lisboa onde co-criou o atelier MUTA. Articula a actividade de projecto de arquitectura com incursões em curadoria. Nomeadamente: para o comissariado do Open House Lisboa 2019 – Lisboa Sem Centro; eOutra Lisboa – Viagens num Espaço Urbano Maior, cuja programação final foi projecto associado da Trienal de Arquitectura de Lisboa 2016. Participa e organiza regularmente, debates, exposições e outros formatos de divulgação arquitectónica e urbanística.

*Proposta seleccionada em open-call


 

Public Housing – No Silver Bullet


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Este é um momento de desafios sem precedentes. Com a certeza de uma nova crise económica a assombrar esta década, as políticas de habitação pública tornam-se uma emergência nacional. Enquanto o problema da habitação cresce, novas estratégias e fundos públicos estão a ser desenhados para o corrigir. É crucial assegurar a implementação apropriada, evitando erros do passado e promovendo soluções flexíveis, adaptadas ao mosaico contraditório do território. É um desafio bem conhecido mas ainda não existe uma bala de prata. Este é o sumário do debate Public Housing – No Silver Bullet, uma visão prospectiva para complementar os dados históricos e críticos em exibição de In Conflict, o Pavilhão de Portugal na Biennale di Architettura. Este evento junta cinco participantes. Dois arquitectos irão conduzir a discussão, ao questionar (e provocar) três peritos de diferentes áreas – geografia, sociologia e política – de forma a esboçar princípios orientadores para uma nova e imperativa abordagem à habitação pública nacional.


PARTICIPANTES
Álvaro Domingues
É geógrafo, doutorado em Geografia Humana, investigador e Professor na FAUP. Trabalhou com a Fundação Calouste Gulbenkian, a FCT e a Ordem dos Arquitectos, entre outros, em inúmeros projectos de investigação e publicações. Escreve regularmente para o jornal Público.

Helena Roseta
Arquitecta, dedicou a sua vida à causa pública, trabalhando enquanto presidente da câmara, vereadora, deputada do Parlamento Português e representante de Portugal no Conselho Europeu. Foi Presidente da Ordem dos Arquitectos de 2001 a 2007. Conduziu algumas das mais importantes iniciativas públicas para a habitação e participação colectiva, como o BIP-ZIP no município de Lisboa (premiado como Boa Prática em Participação Cidadã, em 2013, pelo Observatório da Democracia Participativa), a Lei de Bases da Habitação (2019) e o Programa “Bairros Saudáveis”, em 2020.

Joana Couceiro
É arquitecta pela Universidade de Coimbra e doutorada pela Universidade do Porto onde é professora auxiliar convidada de História da Arquitectura Moderna.
Colaborou com anc arquitectos e Pedra Líquida, sendo co-autora de diversos projectos. Co-fundadora da editora e galeria de arquitectura Circo de Ideias, tem-se dedicado à curadoria (Pechakucha Night Porto; Open House Porto 2019), à edição e escrita de livros (colecção Casas com nome) e de artigos decorrentes da sua investigação. Actualmente integra o esad-idea onde desenvolve a sua actividade enquanto investigadora.

Luís Urbano
Luís Martinho Urbano (Coimbra, 1972) é arquitecto e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). doutorou-se na FAUP (2015) com a tese Entre Dois Mundos. Arquitectura e Cinema em Portugal, 1959-1974. É editor da revista JACK – Journal on Architecture and Cinema e autor do livro Histórias Simples. Textos sobre Arquitectura e Cinema (2013). Realizou as curtas-metragens Sizígia (2012, Prémio Especial do Júri, Festival Clermont-Ferrand, França, 2013), A Casa do Lado (2012), Como se desenha uma casa (2014) e o documentário Morada (2019). É director da Associação Cultural JackBackPack e vice-presidente da Fundação Marques da Silva.

Sónia Alves
Sónia Alves é investigadora auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e investigadora visitante no BUILD - Department of the Built Environment, Aalborg University em Copenhaga.nO seu trabalho foca-se primariamente nos aspectos do planeamento comparativo e políticas de urbanismo e o impacto diferenciado das políticas de habitação sobre os grupos e áreas sociais dentro das cidades. Temas principais da sua pesquisa incluem a análise da relação entre pleaneamento e habitação; e também sobre a regulação de rendas e reabilitação habitacional nos sistemas habitacionais de Portugal e na Europa.


EXIBIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO MORADA
2019 | 23'
Director: Luís Urbano
Produção: JackBackPack and Mapa da Habitação O documentário MORADA propõe um percurso cinematográfico pela arquitectura habitacional apoiada pelo Estado em Portugal estudada no projeto de investigação "Mapa da Habitação". Através de um movimento contínuo numa morada fictícia, sugerem-se contextos e revelam-se alguns dos bairros e edifícios construídos pelos programas públicos de habitação entre 1910 e 1974.


ORGANIZADOR
Samuel Gonçalves
É arquitecto graduado pela FAUP. Trabalhou no estúdio chileno ELEMENTAL enquanto membro da equipa do projecto Centro de Inovação UC (Santiago, Chile) e vários outros projectos de habitação social, tal como o complexo de incremento à habitação pública evolutiva em Constitución, Chile. Em 2015 fundou o seu próprio estúdio – SUMMARY – focado na arquitectura préfabricada. Está actualmente a desenvolver o projecto público de 25 casas de baixo custo em Arouca, Portugal, de forma a enfrentar o aumento exponencial dos preços de mercado da habitação privada. O seu trabalho foi exposto em diversos eventos, tais como a La Biennale di Venezia (2016), a Sociedade de Arquitectos de Boston (2019) e no Centenário Bauhaus (2019).



Domestic Matters


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A precariedade sob a qual a vida contemporânea assenta potenciou diferentes tipos de propriedade, relações sociais e sistemas de gestão. Domestic Matters é um evento de um dia no qual estarão à conversa duas práticas arquitectónicas, LaCol e Brandlhuber+, com o objectivo de estabelecer um debate sobre as realidades domésticas contemporâneas, os seus conflitos e possíveis futuros.

PARTICIPANTES
Lacol
É uma cooperativa de arquitectos estabelecida em 2009 no bairro de Sants, em Barcelona. O seu trabalho parte da arquitectura face à transformação social, usando a arquitectura como ferramenta de intervenção crítica nos ambientes que lhes são mais próximos. A Lacol estabelece a sua actividade num sistema horizontal de trabalho, actuando a par da sociedade, com a justiça e a solidariedade em mente.

b+
Brandlhuber+ é uma prática colaborativa fundada em 2006 por Arno Brandlhuber em Berlim. Dedica-se à ideia de colaboração com outras práticas, disciplinas e indivíduos. O seu trabalho inclui projectos de arquitectura e investigação, exposições, publicações e intervenções políticas. Em resultado das reflexões sobre os parâmetros de mudança que conduzem e modelam o seu trabalho, entre a prática e a teoria, o gabinete está actualmente em transição para se tornar b+.


ORGANIZADORES
Anna Puigjaner
É arquitecta, membra fundadora do atelier de arquitectura MAIO em Barcelona. É professora associada na Universidade de Columbia. A sua investigação sobre a ‘Kitchenless City’ recebeu o prémio Wheelwright da Universidade de Harvard em 2016.

Moisés Puente
É arquitecto e editor espanhol. Integrou o comité editorial da revista Quaderns d’Arquitectura i Urbanisme, fez parte da editora Gustavo Gili enquanto editor e director da revista 2G. Dirige a Puente Editores.



Decolonising the City


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Percurso
O percurso é da responsabilidade do colectivo InterStruct. Visa unir experiências pessoais, memórias colectivas e relíquias do colonialismo, oferecendo uma nova visão que nos permite examinar as raízes do preconceito individual e dos sistemas de opressão. Propõe-se uma caminhada performativa como forma de activismo que aborda a falta de atenção, reconhecimento e revisão das narrativas e ideologias colonialistas que circulam na sociedade portuguesa.

O debate Descolonizar a Cidade tem por objectivo problematizar a persistência de estruturas e imaginários coloniais no espaço público em Portugal. Partindo do lugar social e político da arquitectura, o debate pretende analisar de que forma o corpo da(s) cidade(s) mantém lógicas de (re)produção de representações coloniais, modos de segregação socio-espacial e hierarquias – ora vincadas, ora subtis – nas quais ainda reverberam dicotomias como as de centro e periferia, metrópole e colónias, norte e sul. Nessa medida, torna-se necessário observar as intersecções entre poder, temporalidades e território. Isso implica questionar o modo como as representações sobre o passado colonial surgem no espaço público e de que forma elas convocam disputas memoriais e usos políticos, num quadro em que a permanência de determinadas mitologias nacionais e a sua mercantilização é fortemente operativa, ao mesmo tempo que é também objecto de crescente olhar crítico. Essa perspectiva diacrónica sobre a cidade e os desafios de a descolonizar irrompe a partir de um presente onde se torna fundamental aprofundar as discussões sobre o racismo, a violência policial e as desigualdades, ou sobre as pertenças, migrações e diásporas, e que aponta necessariamente para um futuro no qual o Direito à Cidade se assume como um emergente horizonte de cidadania.



PARTICIPANTES
Desirée Desmarattes
É um dos membros fundadores do InterStruct Collective. Os seus tópicos de pesquisa incluem pós-colonialismo, transnacionalismo e identidade na arte visual e contemporânea. Concluiu o Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua tese versou os legados in/visíveis de um passado colonial no espaço público do Porto.

Dori Nigro
Apresenta-se como performer, pedagogo e educador de arte. Nascido de uma família trabalhadora rural e da pesca no litoral do estado de Pernambuco, no Brasil, o seu percurso artístico começou com a participação em projectos de teatro amador comunitário. Acedeu aos estudos graças a políticas públicas e cotas raciais. Actualmente desenvolve uma investigação sobre Performance, Ancestralidade e Identidade Afrodiaspórica enquadrada no seu doutoramento em Arte Contemporânea, no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

Marta Lança
Lisboa (1976). Doutoranda em Estudos Artísticos, formação em Estudos Portugueses, Literatura Comparada e Edição de Texto na FCSH-UNL. Os temas de pesquisa passam pelo debate pós-colonial, programação cultural, processos de memorialização, plataformas de discurso e estudos africanos. Criou as publicações V-ludo, Dá Fala, Jogos Sem Fronteiras (co-ed) e, desde 2010, é editora do site BUALA. Escreve para publicações em Portugal, Angola e Brasil. Traduziu do francês livros de Maxence Fermine, Jacques-Pierre Amettea, Asger Jorn e Achille Mbembe. Em Luanda lecionou na Universidade Agostinho Neto e colaborou com a I Trienal de Luanda, em Maputo trabalhou no festival de documentário Dockanema. Atualmente coordena o projecto ReMapping Memories Lisboa-Hamburg, Lugares de Memória (Pós)coloniais, do Goethe Institut.

Paulo Moreira

Paulo Moreira licenciou-se em 2005 pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. Desde 2010, é doutorando na Sir John Cass Faculty of Art, Architecture and Design, London Metropolitan University (onde concluíu Mestrado em 2009). Estagiou com Herzog & de Meuron em 2003/04 e estudou com Peter Zumthor na Accademia di architettura di Mendrisio em 2002/03. Foram-lhe atribuídas diversas Bolsas e Prémios, entre os quais o Prémio Novos – Arquitectura em 2015 (Fundação Gulbenkian); o Prémio IHRU em 2014; o Prémio Távora em 2012 (Ordem dos Arquitectos – Secção Regional do Norte); a Bolsa de Doutoramento FCT em 2010 (Fundação para a Ciência e a Tecnologia); o Prize for Social Entrepreneurship em 2009 (The Cass School of Architecture, London Metropolitan University); e o Noel Hill Travel Award em 2009 (American Institute of Architects – UK Chapter).


ORGANIZADORES
Ana Jara
É arquiteta, cenógrafa e investigadora em estudos urbanos. É co-fundadora da Artéria, onde é responsável pela coordenação dos projetos curatoriais e de intervenção urbana. Licenciada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa e mestre em Artes, pela Central Saint Martins College of Art and Design de Londres. Foi professora convidada da Escola de Arquitetura da Universidade de Umeå, na Suécia (2014-15). Foi docente na pós graduação em Design Thinking no IADE (2017-18). É doutoranda em Estudos Urbanos ISCTE-IUL e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Tem escrito regularmente sobre arquitectura, cidade e políticas urbanas para publicações como o Caderno Vermelho e Le Monde Diplomatique. Desde 2018 é vereadora eleita na Câmara Municipal de Lisboa.

Miguel CardinaMiguel Cardina é investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Recebeu em 2016 a bolsa Starting Grant do European Research Council (ERC - Conselho Europeu para a Investigação) na qualidade de coordenador do projeto de investigação CROME - Crossed Memories, Politics of Silence. The Colonial-Liberation Wars in Postcolonial Times (2017-2023). É autor ou co-autor de vários livros, capítulos e artigos sobre colonialismo, anticolonialismo e guerra colonial; história das ideologias políticas nas décadas de 1960 e 1970; e dinâmicas entre história e memória. Foi Presidente do Conselho Científico do CES (2017-2019) e membro da coordenação do Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP) (2013-2106).



Struggle within Conflict


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As cidades estão inevitavelmente marcadas por confrontos, insurreições, resistências e outros conflitos que influenciam a sua orgânica e a sua configuração. O poder hegemónico inscrito na cartografia e história faz da cidade a primeira arena do conflito, facilmente mediatizável e quase sempre inconsequente, que tende a esconder a luta diária dos seus habitantes. A contradição no debate desta luta é que aqueles mais afectados pelas decisões raramente se sentam à mesa das decisões. O afastamento da resolução dos problemas da cidade e dos seus habitantes, a sobre-estetização do objecto arquitectónico e a dependência quase exclusiva da iniciativa privada e dos interesses da classe dominante contribuem para a perpetuação da violência sobre as comunidades mais desfavorecidas, oprimidas e excluídas. Struggle Within Conflict pretende através de um debate multi-disciplinar destapar a informalidade e a marginalidade na cidade, questionando assim a intervenção do arquitecto.

PARTICIPANTES
José António Pinto
Assistente Social e Mestre em Sociologia pela FLUP, cronista do Público e da Visão e palhaço em contexto hospitalar. É funcionário da Junta de Freguesia de Campanhã onde tem desenvolvido, em contextos de exclusão, diversas actividades de animação no âmbito do teatro, da fotografia e do cinema com populações socialmente desfavorecidas. Em 2013 recebeu a medalha de ouro de prémio Direitos Humanos da Assembleia da República. Orador da Tedex-Porto e uma das 60 personalidades que fazem do Porto uma cidade melhor para a TIME-OUT.

Marina Otero Verzier
Arquitecta e directora de investigação do Het Nieuwe Instituut em Roterdão. Faz parte da equipa de curadoria da Bienal de Shangai (2021); foi curadora do Pavilhão Holandês da 16.ª Bienal de Arquitectura de Veneza; da Trienal de Arquitectura de Oslo de 2016 e directora da Global Network Programming at Studio-X Columbia University GSAPP. Otero é co-editora de livros como After Belonging (2016), Unmanned: Architecture and Security Series (2016-2020) e Architecture of Appropriation: squatting as social practice (2019). Directora do Mestrado em Social Design na Design Academy Eindhoven. Licenciatura pela ETSAMadrid, M.S. in Critical, Curatorial and Conceptual Practices in Architecture pela Universidade de Columbia GSAPP como Fulbright Scholar e doutoramento pela ETSAM.


ORGANIZADORES
Francisco Crisóstomo
Mestre em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e pela Universidad Nacional Autónoma de México, com a dissertação D.F. (Cidade do México) Delirante: Narrativas do Caos pela Praxis Urbana (2014). Trabalha com Fernando Romero (FR-EE) na Cidade do México (2013), com o colectivo murmuro (2015-2017) e com depA Architects (2017-2018), antes de começar a sua prática independente em 2019 no Porto. Participa no Movimento dos Trabalhadores em Arquitectura (MTA) desde a sua criação em 2019.

Maria Trabulo
Artista visual e investigadora, vive entre Porto e Berlim. Tem desenvolvido um percurso artístico multidisciplinar, exibindo o seu trabalho em museus e galerias relevantes em Portugal e no estrangeiro. O seu trabalho tem sido reconhecido e premiado por importantes instituições, participa com frequência de residências artísticas. Investigadora em Ciência e Tecnologia das Artes na UCP. Mestre em Art&Science pela Universität für angewandte Kunst Wien, e licenciada em Artes Plásticas pela FBAUP. Foi co-fundadora e directora artística do projecto InSpiteOf (2018-20), e do projecto Expedição (2013-15), ambos no Porto.



No State Council


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Agora, quais os caminhos para prosseguir? Poderia dizer-se que os caminhos seguem na direção da expansão, compreendendo domesticação da natureza, extração, colonização, urbanização e aceleração; ou que eles estão re-orientados para a contração, abrangendo renaturalização, relocalização, reparação e memória. Mas num processo de projeto de arquitetura, os caminhos tornam-se sinuosos e cruzam-se, porque todos os intervenientes estão comprometidos com algo distinto que têm de fazer agora. No momento atual de sobredeterminação dos processos por fatores económicos, como procurar, nas infraestruturas e logística das cidades, a representatividade de modos de vida menos poderosos? Pode o traçado de uma frente ribeirinha “retornar o olhar” sobre poderes institucionais quando está comprometido com eles? Somos capazes de construir nas ruas símbolos tão desafiantes como os que são expostos em museus? E o que fica demonstrado quando alguns desses modos de vida recuperam representatividade em processos microutópicos de utilização do espaço? Será debatendo os momentos de conflito, de negociações e de alianças em processos de projeto concretos que poderemos distinguir caminhos que se nos deparam.

PARTICIPANTES
Ângela Ferreira
Ângela Ferreira nasceu em Maputo, Moçambique e cresceu na África do Sul. Obteve o seu MFA na Escola Michaelis de Belas Artes, Universidade da cidade do Cabo. Vive e mora em Lisboa e ensina Belas-Artes na UL, onde fez o seu doutoramento, em 2016. O trabalho de Ângela Ferreira foca-se no impacto corrente do colonialismo e pós-colonialismo na sociedade contemporânea. Representou Portugal na 52.ª Bienal de Arte de Veneza, em 2007, continuando a sua investigação sobre as formas como o modernismo europeu se adaptou ou falhou a adaptar-se às realidades do continente africano, ao traçar a história da Maison Tropicale de Jean Prouvé. Estudou o papel das emissões de rádio durante as guerras de libertação e independência africanas e constrói há anos uma série de talk towers para emitir poemas.

Gérard Lambert
Historiador e escritor, Gérard Lambert é (em 2000) um dos fundadores e, mais tarde, porta-voz da Acipa, a organização principal que contribuiu para a criação e extensão do ZAD de Notre-Dame des Landes, perto de Nantes (França), local onde uma experiência rica de arquitectura livre sob gestão colectiva tem lugar desde 2007. Este grupo de cidadãos resistiu com sucesso ao projeto de um novo aeroporto, levando à prática um modo de vida alternativo no mesmo lugar.

Rui Mendes
Arquitecto cuja actividade está essencialmente ligada à prática do projecto e ao ensino da arquitectura. Os seus projectos foram apresentados na Trienal de Lisboa 2010 e 2016 e na Bienal de Arquitectura de Veneza em 2012. É professor na Universidade Autónoma de Lisboa e na Universidade de Évora. Foi co-editor do Jornal Arquitectos entre 2012 e 2015 e fundador do Laboratório de Arquitectura lançado em 2017. Co-curador, com Marta Labastida, da competição universitáriaSines – Logísticas à Beira-Mar para o TAL 2016 (selecção Prémios FAD 2017). Recebeu bolsa de doutoramento pela FCT comProjecto de Sines e a Nova Cidade de Santo André. Rui Mendes projeta há anos num território e ecossistema ribeirinho onde está em estudo a construção um novo aeroporto.

ORGANIZADORES
Fernanda Fragateiro
Fernanda Fragateiro (Montijo, 1962) vive e trabalha em Lisboa. Os projetos de Fragateiro são caracterizados por um grande interesse em repensar e investigar as práticas modernistas. A sua prática envolve uma abordagem arqueológica da história social, política e estética do modernismo através de pesquisas continuadas com material de arquivos, documentos e objetos.

Jorge Carvalho
Jorge Carvalho (n. 1964) licenciou-se em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura do Porto em 1990. Em 1991 funda, com Teresa Novais, o aNC arquitectos. O reconhecimento dos seus projectos traduziu-se em prémios, publicações em imprensa especializada e convites para palestras na Europa, América do Sul e Ásia. É professor auxiliar convidado do Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra. Tem sido crítico convidado em avaliações externas de projectos em várias escolas de arquitectura portuguesas e europeias. Desenvolve também actividades diversas no âmbito do debate disciplinar sobre o processo de projecto. É co-autor do livro Poder/Arquitectura, publicado pela Casa da Arquitectura / Lars Müller.



Caring Assemblies: Positions on a Space-to-Come


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Não é necessário ler Butler ou Agamben para compreender que há corpos que importam mais que outros. A prática espacial – que opera entre a submissão aos contextos liberais e uma reclamada ‘autonomia’ disciplinar – sistematicamente exclui corpos, agentes e entidades. Activistas, cidadãos e plataformas de algumas das cidades mais abaladas pela crise de 2008 construíram protocolos e narrativas importantes que revelam o poder da Arquitectura enquanto ferramenta ao serviço da violência política. O pensamento contemporâneo e os novos imaginários políticos delimitaram os campos de um espaço por vir. No entanto, como se poderá conceber práticas espaciais que ‘cuidem de’ e ‘cuidem para’, enquanto simultaneamente confrontadas com os conflitos que os moldes de produção capitalista apresentam? Como poderemos erigir uma prática arquitectónica para lá da reprodução social e dos corpos humanos? Quais deverão ser os vectores da prática espacial do porvir? Caring assemblies propõe a criação de uma assembleia de discursos e narrativas, consensos e dissensos, em direcção a uma arquitectura de cuidado, notas para uma prática espacial comprometida, crítica e cuidadosa.

PARTICIPANTES
Candela Morado
Candela Morado é antropóloga (UCM) e arquitecta (ETSAM), com especialização em Estudos Urbanos e Pleanemento Territorial. Fez o seu doutoramento em métodos colectivos de sustentabilidade da vida urbana, em Bogotá, na Colômbia, no Conselho Nacional Espanhol de Investigação (CSIC). As suas áreas de interesse passam pelo cruzamento entre o urbanismo crítico, antropologia urbana e estudos feministas de ciência.

Husos
É um gabinete que opera no campo da arquitectura, planeamento urbano e micro-paisagismo, compreendidos como práticas de transformação social. Investiga como estas áreas medeiam as relações que constituem o nosso dia-a-dia; com a natureza não-humana e entre espécies, envolvendo as dinâmicas coloniais, de trabalho e de género. Essa investigação faz-se através da pesquisa e desenho, teoria e prática. Husos foi fundado em Madrid por Diego Barajas e Camilo García e, a partir desta cidade, trabalha regularmente entre Espanha e Colômbia

Isabel Gutiérrez Sanchéz
É arquitecta (ETSAM) e antropóloga (UCM) e detém um Msc City Design & Social Science (LSE). Fez doutoramento na Bartlett School of Architecture (UCL) sobre o cruzamento entre cuidado, cidadania, comunidade e espaço nas iniciativas auto-organizadas de Atenas. Ensina na Bartlett School of Planning. Interessa-se particularmente pelo estudo e produção de contra-narrativas e imaginários através da etnografia, ficções políticas, desenho arquitectónico e projectos artísticos.

Mariana Pestana
É arquitecta e curadora com interesse na prática social crítica e no papel da ficção no design para uma era pautada pelo progresso tecnológico e a crise ecológica. É membro do colectivo The Decorators e, recentemente, foi co-curador da exposição The Future Starts Here (V&A) e Eco Visionaries: Art and Architecture After the Anthropocen at MAAT, Matadero & Royal Academy. Actualmente é curadora da 5ª Bienal de Design de Istambul Empathty Revisited: designs for more than one.

ORGANIZADORES
Bartlebooth
É uma plataforma de publicação e investigação que examina a prática espacial contemporânea, fundada em 2013 por Antonio Giráldez López (1990) e Pablo Ibáñez Ferrera (1992). O seu trabalho foi premiado pela Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo (BIAU) e pela Bienal de Arquitectura de Espanha (BEAU), e exposto em espaços como o Pavilhão Espanhol na Bienal de Veneza de 2018, Museu Reina Sofia, Matadero de Madrid e no Museu MAO (Ljubljana). Têm neste momento uma residência no Het Nieuwe Instituut, em Roterdão.

*Proposta seleccionada por Open Call




Open Call 



O ciclo de debates, que faz parte do calendário oficial de In Conflict , conta com nove debates tendo sido seis deles escolhidos através de uma Open Call , com o objectivo de trazer a debate o mais amplo espectro possível de temas e intervenientes em torno das questões lançadas pela curadoria.

A Open Call foi lançada a 14 de Maio de 2020 tendo sido as propostas seleccionadas anunciadas em Dezembro de 2020. O júri foi constituído pelas arquitectas Ana Jara e Anna Puigjaner, o investigador António Brito Guterres, a artista Fernanda Fragateiro, o arquitecto Jorge Carvalho e o editor Moisés Puente.


in conflict



A cidade e o território, como construções colectivas, são a primeira arena de conflito, entendido enquanto acção de forças de sentidos opostos que se traduz em dissenso. Esta condição, implícita à pluralidade do espaço democrático, dá forma à produção da arquitectura.

In Conflict responde directamente à pergunta How will we live together? – lançada por Hashim Sarkis, curador da Biennale Architettura 2021 –, aprendendo com processos, caracterizados pelo conflito, que questionam a problemática do habitar nas suas dimensões física e social.

A resiliência e a reflexão pública transformam estes processos vivos (ainda sob agitação) em aprendizagem, sublinhando a acção e poder políticos da arquitectura. Relembrando o relato de Portugal ensaiado no filme Non, ou a Vã Glória de Mandar por Manoel de Oliveira, propõe-se assim uma visão construída a partir de um conjunto de lutas, ainda por superar.


O Pavilhão de Portugal desafia o público através de dois momentos complementares – exposição e debate.

A exposição, presente no Palazzo Giustinian Lolin em Veneza, dá notícia da arquitectura portuguesa do arco temporal da democracia a partir de sete processos marcados por destruição material, deslocação social ou participação popular. Todos eles têm um lastro mediático amplificado pela imprensa – compreendida como barómetro da acção e do envolvimento públicos.

Estes processos são testemunhos de uma democracia que começou com um Portugal empobrecido, a braços com falências habitacionais profundas e agravadas pela urgência demográfica da descolonização. Hoje, passadas mais de quatro décadas em democracia, a realidade é ainda frágil, pautada pela persistência de bairros informais, por um crescimento especulado dos grandes centros urbanos e pela desertificação do interior do país.

A partir destes sete casos, chamam-se à discussão outros projectos com afinidades quanto à problemática, escala ou modos de acção, construindo-se um panorama alargado e transversal dos primeiros 45 anos de democracia nacional através do seu reflexo na arquitectura portuguesa.

In Conflict procura, através da exposição e dos debates, pensar o papel da arquitectura enquanto disciplina artística, pública, política e ética. Na impossibilidade de resolver todas as contingências, importa hoje pensar como criar lugares onde todos tenham lugar à mesa, na expectativa de cumprir o projecto de um futuro em comum.